Assembleia dos Baldios de Vilarinho mais prolongada de sempre

Proposta de Comparte a favor da ADIC gera discórdia

Com mais de três horas de assembleia, 34 Compartes dos Lugares da extinta Freguesia de Vilarinho reuniram a 18 de março, com destaque à apresentação do resultado do exercício do ano de 2015.

Para além da habitual projecção e da distribuição em suporte papel dos trabalhos em discussão e apreciação, LuísTrota, presidente do Conselho Directivo, fez a explicação geral dos mais relevantes, tendo Fernando Simão discordado em alguns pontospois, na sua opinião, deveriam estar mais desenvolvidos nos documentos.

Os Baldios que iniciaram o ano de 2015 com o exercício negativo a rondar os 45 mil euros, reverteram a situação no decorrer do período, terminando a 31 de dezembro com o exercício positivo a ultrapassar os 41 mil euros.

Na opinião do tesoureiro, isso só foi possível porque os Baldios decidiram não efetuar qualquer tipo de investimentos nesse período, nomeadamentena área das máquinas, assim como na contratação de serviços prestados para a reflorestação e na não atribuição de verbas para as Entidades/Coletividades locais.

Apesar dos cortes previstos no orçamento, o Conselho Directivo demonstrou que não eliminaram a reflorestação, reconhecendo ter sido em menor dimensão no terreno, porque dizem que cortar impõe reflorestar ou dar condições à regeneração natural.Nesse sentido, e de forma planificada, aproveitaram a mão-de-obra dos sapadores e equipa de apoio que plantaram alguns milhares de árvores obtidas, na sua maioria,de forma gratuita através de candidaturas.

Já a venda de lotes de arvoredo tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos de forma visível, expressando-se nas receitas obtidas, não se prevendo qualquer intervenção deste tipo para 2016.Perante este tipo de gestão oConselho Directivo, e aproveitando a maquinaria adquirida,está a inovar a sua atuação, tendo começado a retirar, de forma pontual, as árvores que começam a danificar as envolventes, sendo depois vendidas para a celulose, tornando-se numa das receitas mais significativas da ação dos Sapadores.

As contas do exercício de 2015 demonstraram que os rendimentos foram de 241.728,48€, enquanto os gastos tiveram o valor de 200.001,48€.

No último ponto da ordem de trabalhos foi apresentada à Mesa uma proposta pelo comparte António Carvalho que propunha que o valor de 200 mil euros, depositado em duas contas a prazo dos Baldios, fosse transferido para a ADIC de forma a permitir a continuidade das obras do Centro Social.Nesse alinhamento, Aldina Martins questionou sobre o juro das mesmas, corroborando da ideia, porque atendendo à insignificância do rendimento, na sua opinião,o dinheiro teria melhor aplicação na obra interrompida há vários anos por falta de financiamento, destacando que, com isto, não pretende colocar em causa a descapitalização dos Baldios, bem como os postos de trabalho.

O Tesoureiro do Conselho Directivo, perante a proposta pediu ponderação aos compartes, mas sobretudo que nada decidissem de ânimo leve porque, em seu entender,comprometeriam a sustentabilidade dos Baldios, referindo que a ser aprovadaabririam enorme brecha na funcionalidade da Entidade.Pegando nos números atuais, sobrariamaos Baldios cerca de 28 mil euros para a gestão corrente, uma vez que no imediato serão distribuídos os 37 mil euros às Entidades/Coletividades, conforme aprovação da Assembleia de compartes em novembro de 2015, sendo desse valor mais 30 mil euros para a ADIC.

O tesoureiro ainda informou os compartes, e com base na renda do Parque Eólico,que a Direção da ADIC foi instada a alguns meses a celebrar um financiamento bancário, sendo que os Baldios suportariam, através de protocolo, as despesas do mesmo. Não obstante, informa igualmente, que até ao momento nada foi apresentado nesse sentido. Em seu entender e dos restantes elementos do Directivo esta seria uma parceria perfeita, construtiva e suportável, ao contrário do que aconteceria com o objetivo da proposta que contraía o projeto dos Baldios com resultados imprevisíveis.

Por seu lado Luís Trota, explicou que esses 200 mil euros são um valor que os Baldios possuem há alguns anos como apoio a eventuais falhas de receita para pagamento às equipas de Sapadores e de Apoio, que rondam os 116 mil euros/ano custos com pessoal, bem como para outros compromissos ligados aprocessos judiciais em curso.

A proposta acabou por ficar sem efeito reforçando-se a ideia do financiamento da ADIC, com os Baldios a pagarem mensalmente uma despesa que também não coloque em risco o projeto comunitário dos compartes.