Um passeio pelos baldios de Vilarinho

No dia 22 de Maio de 2019, pelo final da tarde, foram os membros do Conselho Directivo dos Baldios de Vilarinho visitar o espaço florestal que constitui o mencionado baldio. Esta visita visou: (i) avaliar o estado de conservação do mesmo, (ii) apreciar a preparação que foi feita nos últimos tempos com vista à futura passagem do “Rali de Portugal” e, por fim, (iii) permitir que os novos elementos do conselho directivo se familiarizassem com o território do baldio. O encontro dos diversos membros deu-se às 18 horas junto à sede dos Baldios de Vilarinho e daí seguiram para a visita ao território do baldio utilizando uma das carrinhas que se encontra ao serviço dos Baldios de Vilarinho.

A primeira certeza que é suscitada ao visitante do baldio é a de estar perante um território imenso. Trata-se, inegavelmente, de um espaço enorme, que ocupa boa parte das montanhas que circundam a povoação. Para lá disso o baldio é, surpreendentemente, diversificado. O incauto observador, que talvez tudo o que conhece da floresta vilarinhense é o espaço verde que pode observar a partir da estrada, talvez imagine que esta é fundamentalmente composta por pinheiros bravos, a incontornável acácia e… pouco mais. Nada poderia estar mais longe da verdade. A floresta do baldio é um ecossistema diversificado onde se podem encontrar várias espécies: pinheiros-bravos, pinheiros-mansos, castanheiros, carvalhos, nogueiras, sequóias, Pseudotsugas e cedros são apenas algumas delas. Ademais, a sua organização é criteriosa, uma vez que as árvores foram plantadas com vista a, se for caso disso, servirem de corta-fogo na ocorrência de um incêndio florestal. Em segundo lugar os terrenos do baldio são objecto de uma cuidadosa e permanente intervenção. Os terrenos estão limpos e os matos controlados, o que atesta o trabalho meticuloso dos sapadores-florestais do respectivo baldio.

Um dos espaços que mais chama a atenção ao visitante é o Parque do Avelal, espaço convidativo, devidamente apetrechado com mesas, bancos e inclusivamente um grelhador. Na mesma zona está também um dos vários tanques que se espalham pela serra, destinados a reservar água, que poderá ser utilizada também em caso de incêndio florestal. Um outro local que merece ser destacado é o Parque Eólico da Serra da Lousã uma vez que os aerogeradores aí instalados estão em terreno dos Baldios de Vilarinho. Além da riqueza de flora, o Baldio possui também uma assinalável diversidade em termos de fauna, o que pôde por nós ser confirmado em dois avistamentos de veados.

Da nossa visita dois aspectos merecem atenção. O primeiro é a prática não enquadrada de “Downhill” nos terrenos do Baldio. Em vários pontos é visível a existência de trilhos, sendo que nos locais mais críticos as raízes de algumas árvores estão já descobertas. O segundo é a presença da Dryocosmus kuriphilus (“Vespa-das-galhas”), que está associada ao declínio da população de castanheiros.

Uma vez que a hora já ia adiantada deu-se então por finda a visita ao baldio, com a certeza que as horas assim despendidas não fizeram justiça ao muito que ainda ficou por ver, mas já permitiram entrever a riqueza natural e económica dos Baldios de Vilarinho.